Maria Ivone Vairinho e Poetas Amigos

Junho 30 2010

 

 

NA ESQUINA DA RUA



Na esquina da rua
Do lado do medo,
Ali onde o sonho
É um nado-morto,
Sorrisos de lua
Brilham em segredo
Num céu enfadonho
Redondo mas torto



Do lado do medo
O medo se nutre
Na lúgubre esp'rança
De esp'rança nenhuma;
Atrás do enredo
Ficou o abutre
Que faz a cobrança
Ao pobre que fuma



Ali onde o sonho
Não faz simbiose,
Sem laivos de paz
Que dêem alento!
O tempo medonho
Traz mais outra dose
E há uma que faz
A vida ir no vento



É um nado-morto
O esgar dum sorriso
A mesa é vazia
E cama não há...
O que é ter conforto?
- Ter o que é preciso?
- Como é a fatia?
-Discernir, não dá...



Sorrisos de lua
Chegam lá do alto
E enchem o espaço
Pintando-o de prata;
Mas no chão flutua
Um cheiro no asfalto
O sangue num traço
Do gesto que mata!



Brilham em segredo
Estrelas... alheias;
Já que por decretos
São doutros, os céus...
O escuro vem cedo
De paredes-meias
Sob os mesmos tectos;
- Onde é que está Deus?



Num céu enfadonho
Duma estranha cor
De nuvens escuras
Por tempo constante;
Sem esp'rança, sem sonho
Sem brilho ou calor
Perdido em lonjuras
Dum sol que é distante...



Redondo, mas torto,
O céu que aparece
Qual chão ondulado
De dunas, deserto.
Viesse um conforto…
Valesse uma prece…
Mas tudo é nublado
E o amor tão perto!...


Joaquim Sustelo
(em ENQUANTO A BRISA SOPRA)

publicado por tardesdeoutono às 22:36

Junho 29 2010

Íntegro, céptico, claro, genial

Vibra com as emoções e o sentimento

E liberta-os em escrita e pensamento:

Eis o Homem seguro, vertical!

 

"Levantado do chão" como os avós

Ergue-se humilde, são e grandioso,

Como gigante vindo de um anão

Que produz Arte e nunca cala a voz!

 

Um milagre de vida e de energia

Que cérebros mesquinhos não venceram

E com essa censura o enriqueceram

 

Porque em vez de pisarem só ergueram

Ainda mais, p´ra além da Utopia,

A Língua Portuguesa e a Poesia!

 

Lina Céu

publicado por mariaivonevairinho às 12:32
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Junho 29 2010

És Santo Popular...com mui carinho,
Em altares, em escadinhas colocadas,
"É para o Santo António...um tostãozinho..."
Assim pede na rua a criançada...


De Lisboa tu és... óh! meu Santinho,
Embora de Pádua, tu és chamado,
Mas não rejeites nunca este cantinho,
Da pátria Lusa, o teu berço amado...


Também tens fama de casamenteiro,
Em Junho, é ver os "noivos" no teu terreiro,
A pedirem a tua intercessão...


Mas naquilo em que muita gente crê,
Recuperar o "perdido"... já se vê,
Solicitando a tua intervenção...


António Boavida Pinheiro
(Associado n" 676 da .A.P.P.)

publicado por mariaivonevairinho às 12:16

Junho 29 2010

UM POUCO SÓ

Tito Olívio

 

 

Um pouco só de nada é já bastante

Para quem desse nada pouco tem.

Sou generoso a dar-me como amante

E não me retribuis como convém.

 

Se neste dar-me todo sou constante,

Talvez me mova o ver o teu desdém,

Que quebra no momento o doce instante

Da esperança que amarga e sabe bem.

 

A dor de bem-querer é privilégio

De quem sabe chorar uma canção.

Porém, amor, ó alma descuidada,

 

Se o cansaço põe fim ao sortilégio,

Não me venhas depois pedir perdão,

Pois já não quererei pouco nem nada!...

 

 

(Colocado por Maria Ivone Vairinho)

 

publicado por appoetas às 11:13

Junho 28 2010

“Sou mais eu quando tu és a síntese de nós”

(João Belo)

 

Os meus lábios são húmidos da boca

Que aprendi a beijar como ninguém,

Que Maio é comoção, a terra é pouca:

No mar, o teu Amor é mais além.

 

E à noite, a cor é vela em nossa toca,

A rosa a ti, Maria, te convém.

Marina e a fiar, navio ou roca,

A voz rouca, tu lias em Belém.

 

Por isso à Bela eu amo. Ao lado o círio

Me diz que ela é Cibele, e eu fecundo;

Gritamos, ela grita em seu delírio,

 

Infinita ela jaz, e eu no fundo……

Por isso a Paz, a Lua até ao lírio;

Bela vás, vás até ao fim do mundo.

 

San Francisco, 07/01/1998

 

Paulo Jorge Brito e Abreu

Postado por Liliana Josué

publicado por cantaresdoespirito às 21:42

Junho 28 2010


VERÃO

 


Abrasa-se a planíce ressequida
E treme o alcatrão pelas estradas;
Cigarras dão no canto a sua vida
Pessoas vão partir em debandadas


As praias se apinhando! O mar refresca
De um sol que é quase fogo, quando a pique;
Há grupos sob as árvores gigantescas
Tendo ao sabor da brisa um piquenique


Porém também não pára outro labor:
As regas, o colher dos cereais,
Enchendo a abarrotar tanto tractor
Aldeias colorindo e outros locais


E vem à minha mente uma lembrança
Que sei que em minha vida já não vejo:
Eram as desfolhadas, em criança...
- Maçaroca vermelha!!! - E vinha a dança
Da escolha da menina para o beijo. (*)

 

Joaquim Sustelo


(*) as desfolhadas faziam-se nos eirados ou nas eiras. As maçarocas de milho eram amarelas; mas quando, ao desfolharmos, encontrávamos uma de cor vermelha (milho-rei), dávamos um grito em euforia, pois tínhamos o direito de ir escolher a menina a quem dar o beijo.(Note-se que nesse tempo os rapazes apenas as cumprimentavam no dia a dia com um aperto de mão)

   

 

 

 

publicado por tardesdeoutono às 09:02

Junho 26 2010

Não sei descrever filósofos

nem sei sondar os deuses

enquanto me agito

em pensamentos loucos

numa intensa e desmedida

vontade de viver a vida.

 

Avanço no tempo que se esvai

e meu sentimento

meio deslumbrado

é o de querer saber o que alcanço

por isso, vou, avanço

e não escondo cada lamento.

 

Não encontro o depois

pois me assustam os abismos

da existência humana

e toda a rebeldia insana

do meu ser se exalta

sem nada descodificar.

 

Cada passo que dou

me sustenta a mente

e ando de imaginação exigente

para lá de nós

sem que o descubra

ou oiça do além o som de alguma voz.

 

21.06.2010

 

Mário Matta e Silva

Postado por Liliana Josué

 

 

publicado por cantaresdoespirito às 21:38

Junho 26 2010

É como fazer uma viagem

no tempo incerto

agitado, e assim

voltar atrás , ir lá bem longe

nos anos de vida percorridos

revivendo a criança que fui

sem esconder rebeldias

numa folgazona miragem

de avanços destemidos.

 

Quantos anos passados

dos meninos traquinas

que conhecidos lá na rua

onde se desdobrava a lua

em tantas noites sonhadas

por montes, rios, ravinas

corridas por inteiro

nesse tempo de gesto verdadeiro

sobre a virgindade afectuosa

hora gentil e calorosa

da minha meninice.

 

Quem disse que estou a reviver

(tornar a viver… ou relembrar?)

não sei se bem se engana

que o gozo, a fama

da rapaziada

brotou de tudo o que era bom

desfez-se em nada

porque nem a doçura

ficou dessa criança

onde se renovou a esperança

de ser homem vivido

destemido

e gigante.

 

O que eu fora antes não esqueci

hoje me lembrei, senti

o que quedou algures já bem distante.

 

21.06.2010

 

Mário Matta e Silva

Postado por Liliana Josué

publicado por cantaresdoespirito às 21:36

Junho 26 2010

 

É bom

avançar sem tempo

sem medida nem lamento

e sentir na brisa um leve alento

que nos atraia

sem enfraquecer

nosso querer

até que a desilusão se esfume

e cresça em nós o lume

deste viver.

 

É bom

seguir teus passos

e é delicioso

o teu abraço

de uma amizade

desvendada ao longo do tempo

num remoinho caprichoso

que ronda o teu regaço

sem leviandade.

 

É bom

gostar de ti

como se gosta da vida

à flor da pele sentida

num olhar desvanecido

que nos mexe nos sentidos

e nos anima a alma

despontada por aí

imensa, fraterna, calma.

 

21.06.2010

 

Mário Matta e Silva

Postado por Liliana Josué

 

 

 

publicado por cantaresdoespirito às 21:32

Junho 26 2010

 

Sócrates vivendo

o destino

de nos ensinar

o quê

o simples gosto de viver

dizer gosto amo-te há um

percurso

de árvores rente ao

anfiteatro

 

o mar tão sereno transparente

mediterrânico

 

e um caminho de

estátuas

 

todo o destino é

breve

 

o tempo esvoaça na

sua inexistência:

 

com teu olhar de Apolo

observas a História

e

no Olimpo

vou brincando

aos deuses

 

o deus de Delfos

falava com Sócrates e

aconselhava-o. Mesmo assim

Sócrates

 

fez o que lhe apeteceu!

 

Porque não hei-de

fazer

o mesmo?

 

(in:”Dialogo com o Ser”)

 

Graça Patrão

Postado por Liliana Josué

 

publicado por cantaresdoespirito às 20:12

Este blogue está aberto aos co-autores e Poetas Amigos de Maria Ivone Vairinho
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